Fábrica de Rações Santana
A Nutrição ao Serviço da Lavoura
Produzir não é só semear, tratar dos animais e esperar pela colheita. É fazer contas todos os dias, é saber quanto se gasta em alimentação, combustíveis, fertilizantes, eletricidade, transportes e mão de obra e tentar perceber se, no final, o que se recebe chega para pagar tudo e continuar a trabalhar.
É por isso que as recentes descidas do preço do leite e da carne estão a criar grande preocupação junto dos agricultores.
Num ano marcado por conflitos internacionais, instabilidade dos mercados, aumento dos custos da energia e das matérias-primas, e fenómenos climáticos extremos, como as secas, os custos de produção continuam elevados. E quando chega à altura de receber pelo que produziu, o agricultor vê o preço baixar. É difícil de aceitar e a indústria também tem de olhar para esta realidade, porque sem agricultores, não há leite, não há carne, nem há produtos para transformar.
Só este ano, a redução do preço do leite representa menos de 15 milhões de euros para os produtores açorianos. Esta é uma situação que merece a atenção de todos, da indústria e do Governo Regional, que tem de se impor junto da República e da União Europeia na defesa dos agricultores açorianos.
Os 23 milhões de euros previstos para os Açores, destinados a compensar o aumento dos custos de produção decorrentes da guerra na Ucrânia e do custo do gasóleo agrícola, têm de chegar aos agricultores. O mesmo se aplica aos 3 milhões de euros de apoio extraordinário aos custos dos combustíveis e fertilizantes, que já deviam estar disponíveis.
Hoje sabemos que a segurança alimentar é tão importante como a segurança energética ou a capacidade de defesa de um país. Quando faltam alimentos ou quando produzir se torna demasiado caro, toda a sociedade sente as consequências.
Num território ultraperiférico como os Açores, estamos dependentes dos transportes e sujeitos a custos acrescidos que não existem noutras regiões. Mesmo assim, os agricultores continuam a demonstrar uma enorme capacidade de resiliência, a trabalhar e a produzir com qualidade.
A agricultura açoriana continua a afirmar-se pela qualidade dos seus produtos. E é esse o caminho a seguir. Investir na agricultura é investir na economia, na paisagem, no ambiente e nas pessoas que vivem nas nossas ilhas.
Por isso, continuaremos a defender um POSEI forte e autónomo, um orçamento europeu que reconheça a especificidade das regiões ultraperiféricas e o cumprimento dos compromissos assumidos para com os agricultores açorianos.
O futuro da agricultura depende, sobretudo, de haver agricultores que queiram continuar a produzir e, para isso, é preciso que sintam que o seu trabalho é devidamente reconhecido.
Jorge Rita
Presidente da Associação Agrícola de São Miguel