Fábrica de Rações Santana
A Nutrição ao Serviço da Lavoura
A agricultura açoriana atravessa um período particularmente exigente, marcado por incertezas no plano europeu, constrangimentos orçamentais a nível regional e desafios crescentes impostos pelas alterações climáticas, pelos mercados e pela escassez de mão-de-obra. Ainda assim, os agricultores continuam a produzir, a investir e a garantir a segurança alimentar, a coesão territorial e a preservação da paisagem que caracteriza as nossas ilhas.
Nos últimos meses, a Associação Agrícola de São Miguel tem estado na linha da frente da defesa do setor, tanto na Região como em Bruxelas. Participámos ativamente no debate europeu sobre o futuro da Política Agrícola Comum, subscrevemos a moção das Regiões Ultraperiféricas e juntámo-nos a milhares de agricultores europeus na exigência de uma PAC forte, verdadeiramente comum e devidamente financiada após 2027.
Ao mesmo tempo, persistem problemas que não podem ser ignorados. Os atrasos no pagamento das ajudas aos agricultores, a redução das verbas previstas para o setor e a falta de previsibilidade financeira fragilizam as explorações e comprometem a confiança de quem trabalha diariamente no campo. Os agricultores precisam de estabilidade, do calendário dos pagamentos regionais definido e do cumprimento dos compromissos assumidos.
A este cenário junta-se uma preocupação central para os agricultores: o preço do leite pago ao produtor. Não faz sentido antecipar ou impor descidas no preço do leite em 2026, sobretudo considerando que, ao longo dos últimos anos, muitos produtores ficaram descapitalizados. O bom senso e a responsabilidade devem prevalecer, especialmente num momento em que os agricultores enfrentam uma grave escassez de mão-de-obra, sob risco de comprometer a sustentabilidade económica das explorações leiteiras e o equilíbrio do setor como um todo.
Importa também olhar para o futuro. Atrair e fixar jovens agricultores é uma prioridade. Para isso, é necessário reduzir a carga fiscal e contributiva, combater as discriminações nas ajudas nacionais e criar condições que permitam aos jovens investir, inovar e dar continuidade às explorações familiares, agora num patamar mais elevado de profissionalismo e tecnologia.
Este jornal reflete o trabalho desenvolvido, os alertas que temos feito e a visão que defendemos para a agricultura açoriana. Continuaremos a ser uma voz firme, responsável e construtiva na defesa dos agricultores dos Açores, porque defender a agricultura é, em última análise, defender o futuro da Região.
Jorge Alberto Serpa da Costa Rita