Fábrica de Rações Santana
A Nutrição ao Serviço da Lavoura
Vivemos tempos marcados pela incerteza. Os acontecimentos internacionais dos últimos meses vieram demonstrar, uma vez mais, como as decisões tomadas longe dos Açores acabam por ter impacto direto na vida das nossas famílias, das nossas empresas e, naturalmente, dos nossos agricultores.
Os conflitos que continuam a marcar diferentes regiões do mundo trouxeram instabilidade aos mercados e provocaram aumentos significativos nos custos da energia, dos combustíveis, dos fertilizantes e dos transportes. Para uma região ultraperiférica como os Açores, onde tudo depende da capacidade de produzir e de transportar bens entre ilhas e para o exterior, estes aumentos têm um peso ainda maior.
A agricultura açoriana tem sentido estes efeitos de forma muito direta. Nos últimos meses, assistimos a uma subida dos custos de produção, o que coloca uma pressão acrescida sobre as explorações agrícolas e sobre as famílias que delas dependem.
Neste contexto, foi importante que o Governo da República tenha assumido o compromisso de corrigir a exclusão dos agricultores açorianos dos apoios extraordinários destinados a compensar parte destes custos.
Considerámos, desde o primeiro momento, que não fazia sentido existirem agricultores de primeira e de segunda dentro do mesmo país.
A garantia dada pelo Ministro da Agricultura e Mar de que os agricultores dos Açores serão incluídos nos apoios aos combustíveis e aos fertilizantes representa um sinal positivo, mas não pode ser vista como o fim do caminho.
Os desafios que temos pela frente continuam a ser muitos. A discussão do próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, o futuro do POSEI, as negociações comerciais internacionais e os custos dos transportes serão temas decisivos para os próximos anos.
É, por isso, fundamental que a Região, o País e a União Europeia continuem a reconhecer o papel estratégico da agricultura nos Açores.
Em simultâneo, temos de continuar a investir na inovação, na formação, na melhoria genética, na sustentabilidade ambiental e na valorização dos nossos produtos.
A agricultura açoriana tem demonstrado uma enorme capacidade de adaptação e evolução.
Temos razões para olhar para o futuro com confiança, mas também com sentido de responsabilidade. A agricultura continua a ser um dos principais pilares da economia dos Açores, responsável pela criação de riqueza, fixação de população, pela preservação da paisagem e produção de alimentos de qualidade reconhecida dentro e fora da Região.
Num mundo cada vez mais instável, produzir alimentos, sobretudo numa região ultraperiférica, é um desafio. Mas, os agricultores açorianos continuarão, como sempre fizeram, a responder a esse desafio com trabalho, dedicação e resiliência.
Jorge Rita
Presidente da Associação Agrícola de São Miguel