Jorge Rita reivindica previsibilidade nos apoios e destaca excelência da agricultura açoriana | Agricultor 2000


O presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e da Federação Agrícola dos Açores (FAA) defendeu a necessidade de maior previsibilidade nos pagamentos aos agricultores e destacou a excelência e a competitividade do setor agrícola açoriano, na sessão de abertura do XI Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono, que decorreu entre 28 e 30 de novembro, no Parque de Exposições de São Miguel, em Santana.

Jorge Rita sublinhou a dimensão e a singularidade do evento, que reuniu 150 animais provenientes de 42 explorações agrícolas da ilha de São Miguel, números que, segundo afirmou, não têm paralelo em concursos do género realizados na Europa, nos Estados Unidos da América ou no Canadá. Mais do que a quantidade, Jorge Rita destacou a qualidade dos animais em competição. "Estamos a falar num concurso extraordinário, construído por todos, com 150 animais a concurso, em que não é relevante só o número, o que é relevante nestes concursos é a extraordinária qualidade que os nossos animais têm", afirmou.

Para o líder da AASM, a forte adesão dos produtores reflete a confiança no setor e no caminho que tem vindo a ser trilhado na Região. "É preciso percebermos que o caminho que foi trilhado na agricultura dos Açores é o caminho certo", sublinhou, recordando que os Açores lideram diversos indicadores a nível nacional.

"A Região Autónoma dos Açores ganha em todos os rankings, face às restantes regiões do país. Ganha na formação académica, ganha nos jovens agricultores e também ao nível dos dirigentes associativos, cada vez mais qualificados. Tem área agrícola utilizável a grande distância de todas as outras regiões, bem como o melhor aproveitamento dos solos, as melhores potencialidades do setor leiteiro, da carne e das restantes produções agrícolas. Ao nível das denominações de origem, com DOP e IGP, os Açores estão, se calhar, acima ou à frente daquilo que se verifica a nível nacional", salientou.

O presidente da AASM ressalvou, contudo, que essa evolução nem sempre se reflete diretamente no rendimento dos agricultores. "Quando falamos de rendimento, isso é outra situação", afirmou, apontando esta matéria como um dos principais desafios estruturais do setor.

Jorge Rita destacou ainda a importância da formação e da ligação às escolas, valorizando a participação de cerca de 40 alunos da Escola Profissional da Ribeira Grande no apoio à organização do concurso, considerando essencial que os jovens tenham contacto direto com a atividade agrícola.

No entanto, Jorge Rita não deixou de realçar as dificuldades que continuam a marcar o setor, em particular ao nível do rendimento e da "captação de jovens para o setor agrícola", que admitiu "tem sido uma dificuldade enorme".

Referindo-se em concreto à produção leiteira, o dirigente foi perentório: "o setor leiteiro (…) é uma profissão de escravatura. São 365 dias por ano", vincou, chamando a atenção para as exigências da atividade e reiterando a dificuldade em atrair mão de obra e jovens para uma atividade que exige dedicação permanente.

No plano político, Jorge Rita reconheceu que várias propostas da AASM e FAA foram acolhidas pelo atual Governo Regional, mas deixou críticas quanto à execução financeira de alguns compromissos assumidos. "Algumas medidas anunciadas (…) não estão a ser refletidas, não no compromisso, mas no pagamento atempado", declarou, defendendo a necessidade de um calendário de pagamentos regionais que permita aos agricultores gerir melhor a sua atividade.

O dirigente frisou que os agricultores cumprem rigorosamente as suas obrigações fiscais e contributivas, exigindo o mesmo rigor por parte da administração pública. "Nós cumprimos à risca os pagamentos que temos que fazer à Segurança Social e às Finanças", lembrou, acrescentando que a falta de pagamentos atempados compromete a sustentabilidade das explorações.

Relativamente aos apoios nacionais, Jorge Rita abordou a questão da discriminação da ajuda nacional aos Açores, considerando-a uma "linha vermelha", e manifestou confiança de que a situação esteja finalmente salvaguardada no plano legislativo. "Não é aceitável e não aceitarei nunca, enquanto cá estiver, que essa discriminação se mantenha", afirmou.

O líder da AASM revelou ter indicações de que o Orçamento do Estado para 2026 contempla verbas destinadas a mitigar os efeitos do conflito entre a Ucrânia e a Rússia sobre a agricultura açoriana. "Estamos a falar de 19 milhões de euros de ajudas diretas a todos os agricultores da Região Autónoma dos Açores, e 3,3 milhões de euros para o gasóleo agrícola", afirmou, considerando que, a concretizarem-se, estas transferências representarão "uma bandeira ganha da Região Autónoma dos Açores, com muita importância para a nossa economia".

Jorge Rita defendeu ainda a necessidade de continuar a investir em infraestruturas agrícolas, como caminhos, abastecimento de água e eletricidade.

Na reta final da intervenção, destacou os desafios associados à execução do PEPAC, manifestando confiança de que o novo ciclo de apoios será determinante para a continuação da modernização das explorações, o investimento jovem e o reforço das agroindústrias. "O início do PEPAC, apesar de tardio, vai ser, no meu ponto de vista, excelente", disse.

Defendeu ainda uma aposta continuada na valorização comercial dos produtos açorianos, através de campanhas de marketing consistentes e do reforço da marca Açores, elogiando as indústrias que têm conquistado prémios internacionais pela qualidade dos queijos e derivados do leite. "Nós não temos de ter medo de ser arrojados comercialmente com a excelência do nosso produto", afirmou, considerando que esta estratégia é fundamental para ultrapassar dificuldades ao nível dos rendimentos.

No final da intervenção, reafirmou o papel central da agricultura na coesão económica, social e ambiental dos Açores, lembrando que se trata de um setor que nunca pára e que garante o abastecimento alimentar da população, mesmo em contextos de crise. "Pode contar com os agricultores pelo sucesso da economia", concluiu, deixando um apelo à valorização contínua do setor agrícola na estratégia de desenvolvimento da Região.

"Viva a agricultura, viva os agricultores, viva a Região Autónoma dos Açores", finalizou.

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