Fábrica de Rações Santana
A Nutrição ao Serviço da Lavoura

O presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) reivindicou que o Governo da República deve contemplar também as regiões autónomas quando apoia diretamente o setor agrícola em Portugal Continental.
Jorge Rita afirmou que os Açores já foram "claramente discriminados", pela negativa, por governos centrais anteriores e recorda que o atual Governo da República também está a discriminar quando apoia os agricultores de Portugal Continental com um desconto de 10 cêntimos por litro no gasóleo agrícola, mas não estende esses apoios às regiões insulares.
A subida dos combustíveis, da energia, dos fertilizantes, dos transportes marítimos e das taxas de juro pode originar graves problemas para o setor, argumentou o presidente da AASM, durante a inauguração do XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, que decorreu a 15 de maio no Parque de Exposições de São Miguel.
De acordo com Jorge Rita, a subida do preço do gasóleo agrícola representa "um garrote brutal para o setor agrícola nos Açores" e, por este motivo, quer que os apoios sejam replicados na Região. "Os apoios ao gasóleo e aos fertilizantes são indispensáveis, porque a Europa já deu sinal da aprovação que o Estado-Membro pode fazer e que pode ser estendido aos Açores e à Madeira. Portanto, é bom que estas situações sejam corrigidas a tempo, porque liberta pressão sobre as verbas regionais e, consequentemente, liberta muito mais a nossa tesouraria", justificou.
Para o presidente da AASM existem outras problemáticas que precisam de ser abordadas, referindo-se, mais concretamente, à necessidade de desonerar os agricultores da "tributação para a Segurança Social e ao nível dos impostos". Também considerou que há um problema acrescido: "o do acesso a uma habitação com dignidade. Cada vez mais esta situação se torna difícil, até para os jovens agricultores", lamentou.
Jorge Rita recordou o papel importantíssimo da agricultura para a economia açoriana, setor cujo investimento "tem sempre retorno".
"As grandes marcas de força da Região Autónoma dos Açores assentam essencialmente na agricultura e na nossa magnífica paisagem, moldada e preservada pelos agricultores", sustentou, apontando como exemplo produtos açorianos como o leite, a carne, o chá, o vinho e o ananás, entre outros. No caso do leite, recordou que, com apenas 2,5% da superfície agrícola utilizada em Portugal, os Açores representam 34% da produção nacional de leite e 50% dos queijos produzidos no país.
O presidente da AASM considera que o agricultor tem muita "paixão" pelo que faz, mas lamenta que esse trabalho "ainda não é devidamente reconhecido no seu rendimento".
Ou seja, prosseguiu Jorge Rita, "se andássemos todos atrás de muito rendimento, não sei se teríamos a mesma quantidade de vacas que temos hoje, não sei se teríamos a mesma quantidade de agricultores e, se calhar, teríamos mais terras abandonadas".
Sobre o XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, Jorge Rita sublinhou que este é um evento de grande "qualidade" e com uma "mística" que não se encontra em nenhum outro lugar no mundo.
"Podem ter maior dimensão e até podem ter melhores vacas, mas o ambiente e a mística que se cria com as famílias envolvidas neste espaço torna o concurso em algo único. Quem o diz são os que nos visitam, incluindo os juízes que correm todo o mundo. Eles não o dizem apenas para serem agradáveis", frisou o presidente da AASM.
O XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia contou com a participação de mais de 220 animais em exposição, oriundos de aproximadamente 50 explorações. Ao todo, participam 180 bovinos da raça Holstein Frísia, a que se juntam mais 40 animais vocacionados para a produção de carne, sendo 30 da raça autóctone do Ramo Grande e 10 da raça Aberdeen-Angus.
A introdução de animais vocacionados para a produção de carne no XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, através do II Concurso Micaelense da raça autóctone Ramo Grande e da raça Aberdeen-Angus, demonstra a crescente relevância que a produção de carne começa a ter em São Miguel, mas também noutras ilhas dos Açores.
"Este é um setor emergente nos Açores e que começa a ter alguma sustentabilidade e algum trabalho a ser feito de valorização. É importante que estejamos todos a dar nota do foco neste setor que é muito importante na Região", acrescentou Jorge Rita, realçando a excelência da raça autóctone do Ramo Grande.
Este evento contou ainda com o primeiro concurso de Junta de Bois da raça autóctone Ramo Grande. "Vamos demonstrar como os animais trabalhavam em junta de bois. É uma narrativa importante, até para setores de atividade importantes como o turismo, para perceberem a nossa história", referiu o presidente da AASM.
A encerrar a sua intervenção, Jorge Rita deixou uma mensagem de confiança no futuro da agricultura açoriana, apesar dos desafios que o setor enfrenta, sublinhando a resiliência dos agricultores e a importância desta atividade para a Região. "Desafio tudo e todos a continuarem a confiar e a acreditar neste setor de atividade, que é fundamental para os Açores e para o desenvolvimento da nossa economia", concluiu.